quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

PLANO DE AULA DE LITERATURAS IV

UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO DO SUL
CENTRO DE CIÊNCIAS HUMANAS E SOCIAIS
CURSO DE LETRAS

PLANO DE AULA
I) IDENTIFICAÇÃO
     ESCOLA: Escola Estadual Orcírio Thiago de Oliveira
DISCIPLINA: Literaturas de Língua Portuguesa
CURSO: 2º Ano do Ensino Médio
CARGA HORÁRIA: 4 h/a (50 minutos cada)
DATA: 16/10 e 22/10 HORÁRIO: 18:00 às 22:00 horas
PROFESSORA ESTAGIÁRIA: Alberto Chissingui Sara Silva
PROFESSOR SUPERVISOR: Dilma Maria de Sousa Moraes
PROFESSORA ORIENTADORA: Juliana Oliveira De Santana Novais
                                                     

II) OBJETIVOS
- Adquirir conhecimento sobre o contexto histórico do simbolismo;
- Conhecer a origem, o percurso histórico do simbolismo;
- Prestar atenção, contribuir com os conhecimentos prévios sobre o conteúdo que está sendo desenvolvido.
- Ampliar a competência leitura e escrita, a partir da análise de filme, textos, imagens que evidenciam a produção literária do simbolismo;
- Interpretar e compreender;
- Contextualizar o movimento simbolista na Brasil;
 Conhecer as características do Simbolismo na literatura;
 Conhecer escritores simbolistas e suas obras.
- Realizar as atividades propostas pelo professor.

III) CONTEÚDOS
Simbolismo: Características, Autores e Obras

IV) PROCEDIMENTOS
- Apresentação do professor;
- Distribuir o material didático aos alunos;
- A introdução ao conteúdo por meio de uma folha explicativa e explicações orais;
- Fazer a leitura e análise do poema antifona de Cruz e Souza.
- Explicar o momento historico do simbolismo e suas caracteristicas;
- Atividades:
 - Encerramento da aula.
Primeira aula: 16/10/2014
A aula será iniciada com os cumprimentos, e será apresentado o conteúdo que será explicado nesta e na próxima aula que é “Simbolismo: características, autores e obras”. Em seguida, o professor fará algumas pequenas e simples perguntas sobre o que estudaram do parnasiano e entrara explicando sobre o simbolismo por meio de um poema antífona de Cruz e Souza (Ver anexo 01), e Chamara a atenção dos alunos ao que tece as características fundamentais do simbolismo, a linguagem capaz de sugerir a realidade sem o compromisso de retratá-la fidedignamente, o uso de imagens e metáforas, foco na percepção subjetiva, recursos formais que imprimem a musicalidade (assonâncias e aliterações), uso de símbolos e ainda, o professor passará o conteúdo no quadro para que os alunos passem nos seus cadernos (ver anexo 2) e também fará algumas perguntas para eles testando o desempenho dos mesmos em sala de aula.
           
       Segunda aula: 16/10/2014                               
O professor dará continuidade a respeito do tema, e agrupara a turma em pequenos grupos propondo uma pesquisa sobre o simbolismo e, em seguida irão à sala de informática para efetuar a referida pesquisa com as seguintes propostas:
Quais os marcos do simbolismo na Europa e no Brasil, a que movimento o simbolismo de opôs e porque, pesquise sobre a vida e a obra de Cruz e Souza e Eugênio de Castro, selecione um poema de cada autor em que estejam presentes as características sonoras, como assonâncias e aliterações, e a musicalidade para na aula seguinte ler em sala. Dadas essas questões, o professor providenciara cópias para os demais grupos dos poemas escolhidos.

      Terceira aula: 22/10/2014
Nessa terceira aula, os alunos apresentarão da pesquisa e a leitura dos poemas em sala. Para cada poema, o professor chamara a atenção sobre as características formais, as temáticas e as imagens que os poemas evocam.

Quarta aula: 22/10/2014
Nesta aula, o professor vai passar para cada aluno, um papel onde consta um poema e as respectivas questões de todo conteúdo dado em sala de aula (ver anexo 4). Exercita a memória e a ortografia. O professor estagiário irá conversar com a professora da sala para saber quanto vai valer a atividade avaliativa na nota final deles para que eles não façam apenas por fazer. É apenas uma maneira de fazer com que eles coloquem no papel tudo aquilo que sabem sobre o estudo dos trovadores no seu todo.







V) RECURSOS
 Quadro, giz, fotocópias, data show.



VI) AVALIAÇÃO
- A atividade avaliativa será aplicada na ultima aula para comprovar o nível de entendimento dos alunos sobre o assunto, ou seja, a matéria dada em sala de aula.       




VI) REFERÊNCIAS
Disponivel em :  http://www.casadobruxo.com.br/poesia/c/antifona.htm acesso em 08 de Outubro de 2014.
Português: novas palavras: literatura, gramática, redação/ Emilia Amaral ... [et la.]. – São Paulo: FTD, 2000.


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PLANO DE AULA DE LÍNGUA PORTUGUESA IV

UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO DO SUL
CENTRO DE CIÊNCIAS HUMANAS E SOCIAIS
CURSO DE LETRAS

PLANO DE AULA
I) IDENTIFICAÇÃO
     ESCOLA: Escola Estadual Orcírio Thiago de Oliveira
DISCIPLINA: Língua Portuguesa
CURSO: 1º Ano do Ensino Médio
CARGA HORÁRIA: 4 h/a (50 minutos cada)
DATA: 22/10 e 29/10 HORÁRIO: 18:00 às 22:00 horas
PROFESSORA ESTAGIÁRIA: Alberto Chissingui Sara Silva
PROFESSOR SUPERVISOR: Isaque Wodneuf Wutra
PROFESSORA ORIENTADORA: Edna Pagliri Brun
                                                     

II) OBJETIVOS
- Identificar os estilos de linguagem num determinado texto;
- Conhecer figuras e vícios de linguagem e o uso no quotidiano;


III) CONTEÚDOS
- Estilística e figuras de linguagem



IV) PROCEDIMENTOS

- Apresentar à turma um poema impresso;
- Distribuir aos alunos o poema de Camões (amor é fogo que arde sem se ver);
- Perguntar aos alunos se alguma vez já ouviram falar do autor do poema;
- Mediante respostas dadas pelos alunos discorrer brevemente obre a vida do autor;
- Fazer a leitura e a interpretação do poema junto com os alunos;
- Mostrar o conteúdo (conceito de estilística e as figuras de linguagem no data show);
- Explicar  diferença da “denotação e conotação”;
- Explicar a relação das imagens com o conteúdo apresentado;

PRIMEIRA AULA: 22/10/2014
A aula será iniciada com os cumprimentos, e será apresentado o conteúdo que será explicado nesta e na próxima aula que é “Estilística e figuras de linguagem”, Em seguida, o professor fará algumas pequenas e simples perguntas sobre o que sabem de figuras de linguagem. Distribuirá um poema de Luis Vaz de Camões “o amor é fogo que arde sem se ver” ver (anexo 1), e por meio desse poema, pedirá para que os alunos leiam e depois analisar. Pedirá para os alunos fazerem um roteio e descobrir as figuras de linguagem presente no poema. Explicará o conteúdo por meio do conteúdo (Ver anexo 02), e por meio dessa explicação, o professor passará o conteúdo no quadro para que os alunos passem nos seus cadernos. O professor seguirá explicando detalhadamente o que são figuras de linguagem e também fará algumas perguntas pra eles testando o desempenho dos mesmos em sala de aula.

SEGUNDA AULA: 22/10/2014

O professor dará continuidade a respeito do tema, explicará a turma detalhadamente sobre as figuras e estilo de linguagem que alguns poemas, contos, notícias, tirinhas, entre outros trazem. O professor explicará aos alunos que, nas noticias predomina muito as figuras de linguagem e, pedirá para eles trazem o material na próxima aula porque darão continuidade sobre o mesmo tema e também trará algumas imagens e tirinhas com figuras de linguagem.

TERCEIRA AULA: 29/10/2014
O professor fará uma breve e rápida revisão sobre todo conteúdo estudado nas duas aulas e, distribuíra algumas imagens aos alunos e, por meio delas, buscará fazer entender como são representadas as figuras de linguagem nas tirinhas e em algumas noticias (ver anexo 3). Fará algumas perguntas sobre as imagens perguntando que figuras de linguagem tem nas tirinhas e imagens, em seguida, vai explicar que depois do intervalo farão uma atividade avaliativa que constitui uma parte da nota do bimestre.

QUARTA AULA: 29/10/2014

Nesta aula, o professor vai passar para cada aluno, um papel onde consta um poema de Clarice Lispector e algumas questões de todo conteúdo dado em sala de aula (ver anexo 4). Exercita a memória e a ortografia. O professor estagiário irá conversar com a professora da sala para saber quanto vai valer a atividade avaliativa na nota final deles para que eles não façam apenas por fazer. É apenas uma maneira de fazer com que eles coloquem no papel tudo aquilo que sabem sobre o estudo dos trovadores no seu todo.






V) RECURSOS
 Quadro, giz, fotocópias, data show.



VI) AVALIAÇÃO

 - A atividade avaliativa será aplicada na última aula para comprovar o nível de entendimento dos alunos sobre o assunto, ou seja, o conteúdo pragmático da matéria.      




VI) REFERÊNCIA


Português: novas palavras: literatura, gramática, redação/Emília Amaral...[et al.]. – São Paulo: FTD, 2000.





PLANO DE AULA ESPANHOL IV

UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO DO SUL
CENTRO DE CIÊNCIAS HUMANAS E SOCIAIS
CURSO DE LETRAS

PLANO DE AULA
I) IDENTIFICAÇÃO
     ESCOLA: Escola Estadual Padre José Scampini
DISCIPLINA: Língua Espanhola
CURSO: 3º Ano do Ensino Médio
CARGA HORÁRIA: 4 h/a (50 minutos cada)
DATA: 31/10 e 05/11/2014     
PROFESSORA ESTAGIÁRIA: Alberto Chissingui Sara Silva
PROFESSOR SUPERVISOR: Rafael Duarte Chimenes Junior
PROFESSORA ORIENTADORA: Ruth Ortiz Bobadilha


II) OBJETIVOS
- Reconhecer a localização geográfica de El Salvador.
- Adquirir o conhecimento sobre o contexto histórico, político, econômico e social de El Salvador.
- Desenvolver a escrita, a leitura e a fala em espanhol.
- Reconhecer o referido vocabulário em contextos reais de uso.
- Reconhecer os principais pontos de atração de El Salvador.

III) CONTEÚDOS

País hispanohablante (el Salvador)



IV) PROCEDIMENTO
- Apresentação do professor;
- A introdução ao conteúdo por meio de um vídeo e imagens que tratam sobre o país El Salvador;
- Explicar o conteúdo por meio de slides;
- Passar alguns vídeos que abordam questões de gastronomia, turismo, política e economia do país.
- Atividades:
 1. Identificar os pontos mais atrativos de El Salvador por meio de vídeos e slides passados em sala de aula;
 2. Realizar as atividades de fixação propostas;
 3. Atividade Avaliativa;
- Encerramento da aula.
Primeira aula: 31/10/2014

A aula será iniciada com os cumprimentos e será apresentado o conteúdo que será explicado nesta e na próxima aula que é “País hispanohablante (el Salvador)”. Em seguida, vai se distribuir uma folha para cada aluno contendo um resumo sobre alguns aspectos importantes do El Salvador. Em seguida, o professor fará algumas breves perguntas sobre o que os alunos sabem a respeito desse país e de outros que falam a língua espanhola. O professor seguirá explicando detalhadamente sobre os aspectos culturais, econômicos, sociais, turísticos, religiosos do país El Salvador. (ver anexo 1 e 2) e também fará algumas perguntas, avaliando o desempenho em sala de aula.
           
       Segunda aula: 31/10/2014

O professor dará continuidade a respeito do tema, explicará à turma que nesta aula daremos continuidade falando sobre os aspectos ora citados e passaremos alguns vídeos como apoio podendo contextualizar o que está sendo explicando (ver anexo 3) e posteriormente, o professor pedirá aos alunos para que explicassem um pouco sobre o que eles sabem do turismo.

      Terceira aula: 05/11/2014

O professor dará continuidade explicando ainda sobre os aspectos políticos, econômicos e culturais do país hispanohablante El Salvador por meio de slides e vídeos e, fará uma breve e rápida revisão sobre todo conteúdo estudado, ou seja, visto nessa e nas outras duas aulas anteriores, para que os alunos se sintam preparados para na quarta aula fazerem uma atividade avaliativa. O professor estagiário irá conversar com o professor da sala para saber quanto vai valer a atividade avaliativa na nota final deles para que eles tenham uma motivação para a realização dessa a atividade.

Quarta aula: 05/11/2014

Após a atividade, professor trará as mesmas para os alunos já corrigidas, e juntos farão a correção delas em sala de aula e, ao final, o professor irá devolvê-las para alunos


V) RECURSOS
 Quadro, giz, fotocópias, data show, computador.



VI) AVALIAÇÃO
- A atividade avaliativa será aplicada na última aula para comprovar o nível de entendimento dos alunos sobre o assunto, ou seja, a matéria dada em sala de aula.   





VII) REFERÊNCIAS






El turismo salvadoreño. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=ARVSR7V4CpE,  acesso aos 18 de outubro de 2014.
La gastronomia salvadoreña.Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=MzERlTdU1CM,  acesso aos 18 de outubro de 2014.

La cultura salvadoreña. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=-laQJOADGAM, acesso aos 18 de outubro de 2014.

Gramática Contrastiva del español para brasileños – FERNÁNDEZ, Gretel Eres/ MORENO, Concha. Editora SGEL, 2007.




























VIDEOS:
  1. La cultura https://www.youtube.com/watch?v=-laQJOADGAM

  1. El turismo https://www.youtube.com/watch?v=ARVSR7V4CpE

  1. La gastronomia https://www.youtube.com/watch?v=MzERlTdU1CM


ACTIVIDAD

“As visões de África em Os Lusíadas, Luís Vaz de Camões”.

UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO DO SUL
CENTRO DE CIÊNCIAS HUMANAS E SOCIAIS
DEPARTAMENTO DE LETRAS

ALBERTO CHISSINGUI SARA SILVA[1]

As visões de África em Os Lusíadas, Luís Vaz de Camões”.


Resenha elaborada para fim avaliativo Na disciplina de Literatura Portuguesa I ministrada pela professora Doutora Rosana Zaneletto.








CAMPO GRANDE – MS
DEZEMBRO/2014

As visões de África em Os Lusíadas, Luís Vaz de Camões.
Uma viagem ao passado: É notório que, ao estudarmos a épica Camoniana, estamos fazendo um percurso histórico desde o surgimento de Portugal, suas descobertas e suas conquistas. No que concerne ao estudo aqui proposto, me debruçarei somente aos lugares em África onde Vasco da Gama passou como eram denominados esses lugares e quais foram os maiores interesses dessas viagens.
Logo no primeiro canto, observamos que Vasco da Gama, na voz do narrador principal, anuncia uma viagem passando pelos lugares mais perigosos como “mares nunca dantes navegados” Trapabana e perigos e guerras esforçadas por gente remota. No entanto, podemos então, começar a notar os primeiros atributos que o narrador chama ás terras onde vai navegar como:
E também as memórias gloriosas
Daqueles Reis que foram dilatando
A Fé, o Império, e as terras viciosas
                De África e Ásia andaram devastando, [...] (I, 2)
Logo no primeiro canto na estrofe dois, Vasco da Gama apresenta as visões de África como terras viciosas. Nesse sentido, podemos afirmar que essas cruzadas tinham vários interesses, pelo primeiro discurso é óbvio entender que a fé estava assente em primeiro lugar para a manutenção do império português, assim como a devastação do continente.
O narrador principal coloca em causa o signo do descobrimento para classificar os lugares de África e outros continentes por onde o mesmo passou. Segundo algumas pesquisas, pôde ler em uma obra do historiador António Vieira que aplica o termo descobrir como “levantar uma tampa que nos escondia de qualquer coisa” quando Vasco da Gama atribui o nome de “gente remota, terra viciosas”.
Para os navegadores, viam os povos africanos n’Os Lusíadas, como uma gente estranha, com variadas crenças religiosa até mesmo convertida em islã.
Eu vos direi a grande praia branca
E os homens nus e negros que dançavam
P’ra sustentar o céu com suas lanças
(Sophia de M. B. Andresen, Navegações)
Houve muitos lugares onde os navegadores portugueses passaram  em África como no caso da Ilha de Cabo Verde que serviu de elo para o estabelecimento de rotas mesmo com poucos lugares habitados e também outras regiões como eram na África do Sul e Anthilias. Porém, a primeira sociedade africana que aparece pela primeira vez n’Os Lusíadas é a chama Ilha de Moçambique que no conto I é referido nos versos como “costa de Etiópia” ( I, 42 – 43 ):
(....)Já lá da banda do Austro e do Oriente,
Entre a costa Etiópica e a famosa
Ilha de São Lourenço; (... I, 42)
Ainda havia ali um olhar estereotipo devidos aos costumes e hábitos que encontraram nesse povo:
De panos de algodão vinham vestidos,
De várias cores, brancos e listrados;
Uns trazem derredor de si cingidos,
Outros em modo airoso sobraçados;
Das cintas pera cima vem despidos;
Por armas tem adagas e terçados;
Com toucas na cabeça; e, navegando,
Anafi s sonorosos vão tocando. (I, 47)
É bem notável também que nesse encontro entre os navegadores, no caso o povo comandado pelo Vasco da Gama não se limitaram apenas em explorar e impor suas crenças, também houve certas curiosidades e trocas de experiências como ideias, objetos, técnicas e formas de vida. Sabemos que isso acontece com qualquer sociedade, sempre quando descobrimos algo novo deixamos nossas raízes e também levamos alguma coisa característica desse povo. Veremos por exemplo no canto abaixo:
Comendo alegremente, perguntavam,
Pela Arábica língua, donde vinham,
Quem eram, de que terra, que buscavam,
Ou que partes do mar corrido tinham? [...] (I, 50)
Ainda nesse mesmo canto, vimos como os portugueses se afirmam perante aos povos africanos “Os Portugueses somos do Ocidente/Imos buscando as terras do Oriente” ( I, 50 ). Essas todas são algumas características que apresentam o tratamento que Os Lusíadas atribuem para o povo africano nos lugares por onde navegaram. Lembrando que tudo assentava sob o domínio econômico, político e religioso considerando-se o povo superior do universo.
Camões, ainda nesse primeiro canto em análise até então, apresenta duas descrições para o povo da Ilha de Moçambique acima supracitado. Sendo assim, vou apontar a primeira descrição que ele chama, ou seja, considera esse povo como mulçumano da Ilha,
«Somos um dos das Ilhas lhe tornou
Estrangeiros na terra, Lei e nação;
Que os próprios são aqueles que criou
A Natura, sem Lei e sem Razão.
Nós temos a Lei certa que insinou
O claro descendente de Abraão, [...]» (I, 53)
Em seguida, Camões explica a importância daquele local para então as rotas de navegação no índico. Para ressaltar no que concerne á uma dúvida anteriormente citada sobre “africano mulçumano?” aqui, observamos que o próprio mulçumano considera o povo africano com gente sem religião e sem racionalidade. Assim sendo, Camões reflete sobre os mulçumanos locais:
[...] Qualquer então consigo cuida e nota
Na gente e na maneira desusada,
E como os que na errada Seita creram
Tanto por todo o mundo se estenderam. (I, 57)
 Na passagem de Vasco da Gama pela costa ocidental de África, ela narra ao rei de Melinde no canto V, os lugares pelos quais passou e, após deixar o arquipélago cabo-verdiano, faz da costa uma descrição que traz consigo informações locais estranhas que até a África de hoje einda as mesmas descrições existem:
[...] A província Jalofo, que reparte
Por diversas nações a negra gente,
A mui grande Mandinga, por cuja arte
Logramos o metal rico e luzente,
Que do curvo Gambeia as águas bebe
As quais o largo Atlântico recebe; (V, 10)
Nesse canto acima, o termo Jalofo nos remete a uma etnia, conhecida como os Yoloff, da mesma maneira que, o termo Mandinga, nos remete a uma outra etnia que era extremamente vasta na época da viagem de Gama. Pelos versos, pode-se deduzir que Jalofo, provavelmente por metonímia, designou o local em que habitava o grupo, próximo ao encontro do «curvo Gambeia», ou rio Gâmbia, com o Atlântico, território farto em metais preciosos. Ali se localizava ao final do século XV o Império Mali, que realmente englobava muitos grupos étnicos, ou nações, onde hoje ficam o Senegal e a Gâmbia, na ponta ocidental da África. Deve-se reparar que na mesma nota para esta estrofe, o termo nações encontra-se definido como «raças», o que no mínimo merece uma interrogação.
Já no canto X, também observamos que o autor tem conhecimento do Império xona Monomotapa, uma civilização suntuosa cujas ruínas ainda existem no Zimbábue, fronteira com Moçambique. Tal império tinha relações comerciais com partes do Oriente e teve seu ponto final no século XV, quando subjugou as tribos locais, na região entre o Zambeze e o Limpopo;
Olha essa terra toda, que se habita
Dessa gente sem Lei, quase infi nita.
Vê do Benomotapa o grande império,
De selvática gente, negra e nua, [...] (X, 92-93)
Prevalece então a opacidade frente à outra sociedade. Mesmo os homens de uma civilização desse porte são reduzidos a uma massa de gente selvagem «negra e nua», uma «bruta multidão», ou «bando espesso e negro de estorninhos», como dirá a estrofe seguinte. Mas nesta mesma há um trecho intrigante:
Olha as casas dos negros, como estão
Sem portas, confi ados, em seus ninhos,
Na justiça real e defensão
E na fi delidade dos vizinhos; (X, 94)
Ainda para o narrador principal “Gama”, diz que o africano “Nem ele entende a nós, nem nós a ele”. E, em seguida o seu povo aparece, “Todos nus e da cor da escura treva”, um “bando negro”, “espessa nuvem”, que sairão “setas e pedradas” a afugentar os portugueses. Sobre os perigos daquela gente “bestial, bruta e malvada”, segundo as pesquisas á  Veloso sobre Gama para justificar sua corrida desenfreada e medrosa (V, 27-35):
Fala de Júpiter
Mas, quando eu pera cá vi tantos vir
Daqueles Cães, depressa um pouco vim,
Por me lembrar que estáveis cá sem mim. (V, 35).
Para finalizar com a discussão em curso que abarca as visões de África em Os Lusíadas de Camões, percebemos durante a análise que a África mesmo sendo um continente berço da humanidade foi e será sempre visto como um continente para ser descoberto. Vê-se até hoje como uma África de um povo que precisa acordar e que para além das suas ricas e densas culturas, é obrigada a ser aculturada e levar o nome do colonizador.

Referencias bibliográficas

BECHARA, E. e SPINA, S. Os lusíadas. Antologia. São Paulo: companhia das letras, 2000.

CAMÕES, Luís. Os lusíadas. São Paulo: Abril cultura, 1982.



[1] Acadêmico Angolano pelo convênio PC-G, frequentando o 8º semestre em habilitações Português e Espanhol.