quarta-feira, 3 de julho de 2013

Características de alguns nomes de muita gente em Angola na língua mais falada UMBUNDO


O significado de alguns nome da língua umbundo a mais falada em Angola 

EYALA [eyala lyambata tchalwa] – A lixeira ‘recolhe’ e suporta tudo.
HENDA [enda lakulu okakuka, enda l’omãla okateñgela] - O segredo está em que o mais velho conhece o que mete medo – tchikola – e “não toca”. Quem tem medo obedece e não pratica o mal!
KALEI – É o nome dado ao responsável das chaves na casa real.
KALUNDUNGU [vokulula kwolondungu hamo vokupepa kwatcho. Vilula, polê p’otchimanda vipwapo] – A pessoa não pode ser 100% boa para todos. É boa para uns; para outros passa por mau. E assim vai construindo a sua família. – “K’umboto k’undjali” – Nalguns males da família, fazer ouvidos de mercador. Os bons e os maus todos são teus familiares.
KAMWENHO [ndilya k’omwenho kandanda kumwe; kupañgela wavisya] – Coma parte da tua riqueza e guarde outra, porque não se sabe o dia de amanhã.
KAPIÑGALA – É o herdeiro de tudo o que é dos mais velhos, desde o feitiço até aos bens. Tal como o sobrinho, filho da irmã, é herdeiro de tudo o que é do tio, assim o filho.
KASSINDA – É o nome dado àquele ou àquela que vem depois dos gêmeos ou gêmeas.
KATCHISAPA [kakuli lu katyapulamo upindi] – É um ramo ao longo do caminho que batendo a todos pode ser sinal de união. Ele pode identificar todos e cada um. Fulano? – passou; e fulano? – Também passou! Conhece a todos.
KATITO [Katito oko kove. Tchinene tchamãle. Okwandimba kenha (=nãlanãlako), ukwambambi kakusoywilako] – Fique sempre feliz com o que tens, antes que te chamem de invejoso.
KATULO [lyanga otulo, hokalyange ovisokasoka] – Durma antes e pense depois, porque, de contrário, o sono não vem.
KAVINIAMA [ovilongwa havyangeko kavinyama] – Não me acusem do que não fiz. Se estás sem culpa, tranquiliza-te; esteja seguro.
KAYENGENGA [kayengenga walunga okukupuka] – Aquele que sente preguiça de fazer alguma coisa é porque está quase para deixar. Sê flexível, porque o rijo acaba por partir.
LIKILIKI [likiliki wandele la põlo] – Tudo passa depressa, acalma-te; quando mais agitação à volta de alguma coisa, menos duração tem tal coisa! – É o mesmo sentido de: “yisika enene, yalaka okutwika” .
LUKAMBA [lukamba l’ohele kakwete] – Não teme nada, pode ir procurar esposa mesmo fora da sua família. São coisas que na tradição africana não se fazem! Mas ele é o soldado do rei que procura e conserva os anseios do chefe quer em tempo de guaerra quer em tempo de paz e não se importa em que condições forem.
MOMA [apa walila omoma hapoko yukumomela] – O mal não vem todo no mesmo dia. O mal que fazemos hoje terá “recompensa” no futuro!
NDANDULA [kwenda ombela owiñgi uvandjako; kwenda ondambi, umosi lika ovandjako. Ndandulako] – Para onde foi a chuva todos olham. Onde foi uma pessoa, só o seu ente querido é que acompanha; para onde foi a senhora (a bela) só o marido acompanha.
NDEMBELE [ndembele kandjila k’otchindele, ondjomba yiwa k’owiñgi] – Tudo é melhor em conjunto; nunca faças nada sòzinho.
NDINGAWA [kasolawa, omo nda uyeveyo kavulala kikolo] – Aquele que faz bem aos outros, quando lhe acontece também alguma coisa todos se admiram [todos se riem dele]. – “Uyeveyo” é peça de sopro do fogo para moldar o ferro. Porém, está sempre amarrado: apesar do bem que faz, permanece amarrado.
NDJAMBA [yakutulika, eteke yukutulula, k’ilu kwalinga otchipãla] – Quando se tem alguém num lugar de chefia, está-se seguro, mas tudo pode acabar de repente! – “Nda okasi pawa pavi pakupayola. Nda otyañgela ndjamba, malanga upitakapo okalumbange] – Se és chefe, respeita os subordinados; nunca se sabe quando tudo pode mudar. Quando se é jovem, é preciso respeitar os mais velhos; é que o velho já foi jovem, mas tu ainda estás para ser velho. A ironia da história poderá um dia castigar-te!
NDJOLELA [kateke weya, uyolela wanda]. A visita fique o mais breve possível, porque de contrário já aborrece, desagrada.
NGEVE [ngeve yusi katala] – Quando o hipopótamo passa o dia estendido na praia, está para morrer! A pessoa que está para morrer, despede-se através de muitos sinais.
NHIMAWA [onhima yiwa kaimoli omõla] – Quem quer não tem! Quem tem esbanja! Quem pode não faz; o pobre é que tem mais filhos.
SAFEKA - É nativo: nunca mudou.
SANDULA – Esbanjador. – “Pessela” – [wapessela kanola – wanhelisa kasandiliya] – Quem perdeu não procura: se te morreu o pai ou a mãe, o irmão ou o filho, onde irás procurá-lo? Não tem substituição!
SIMBU (=TCHOKOSIMBU) [tchosimbu, okwiya tchalinga tchokaliye] – Se alguém te deve, não te zangues com ele; quando vier pagar, ficará tudo novo. – “Kanhangulu waloyela kumosi la kanhongo” – Dois acontecimentos juntos: um bom e outro mau!
SIMWILA [hokandjupe tchange, ñgasi (ale) likalyange] – Uma viúva que cuida dos filhos sòzinha, não lhe peças mais emprestado (sobretudo sem lhe pagar).
SUKWAPANGA (=SUKWAKWETCHE) [Sukwakwetche, imbandì vilipende okusakula] – Se Deus não te “chamou”, vivo ou morto, fica. Tudo é segundo a Sua vontade. – “Tchakupanga, tchukupa v’evanda” – No meio de tanta gente morre apenas um!
TCHAKUSOLA [tchakusola kwama k’omunga] – Mesmo conhecido, é preciso ser convidado! [Se é verdade que sou o dono (da festa) porquê não sou notificado?]
TCHAMB’OUSA [ame tchamb’ousa: otchivimbi tchitalamela mwele; tchalela tchitalamela enhanga] – Quando alguém morre, esperam-se os parentes para o enterro, mesmo que estejam longe!
TCHAMILE [uti wamile hawo lokuloluka; epata lyalwile halyo lokukunduka] – A árvore de fruta seca com o tempo; eram muitos irmãos, agora ficou apenas um.
THIKOLA [tchikola hokatchikwate] – Uma coisa admirável não deves tocar, faz mal. Uma acção má e perigosa nunca se deve repetir.
TCHIKOMO [tchatchotcho tchikokusumba] – Diz-se do que mete medo!
TCHILOMBO [p’otchilombo tch’olongende, kayolokele osalapo] – “P’otchilombo” é o lugar de hospedagem. O sentido do provérbio: em tudo é preciso dinamismo. É preciso actualizar-se sempre. Siga o que os outros fazem em conjunto desde que seja para o bem.
TCHINGWETA [yanda kayiyelula k’ekondjo; yatehã olwi yasiñga ovava] – Pessoa gorda simboliza o bem-estar!
TCHINOFILA [umba te watchilya] – A causa pela qual se morre tem de ser do nosso inteiro conhecimento e/ou pleno consentimento.
TCHINONHALE [tchinonhale katchukutundi; tchinosole katchukusole] – Muitas vezes acontece que se espera ou se deseja o mal ou a morte de alguém por ser mau e nada lhe acontece; pelo contrário, a quem estimamos é que em tão pouco tempo algo de pior lhe pode acontecer!
TCHIPUMA [tchipuma etemo tchiyunda, tchipopya omanu tchikeya] – O que se capina com a enxada torna a crescer; o que as pessoas dizem há-de acontecer! É preciso tomá-lo a sério!
TCHISINGI [tchisingi kakulihile omõla wombwale; omõla wa soma, osuke ale owasi, vosi valipundukamo] – O tronco (no caminho) não conhece pessoa boa e delicada; não conhece o filho do rei, rico ou pobre; todos tropeçam nele.
TCHITENDE [tchitende opanga etchi tchivi ndañgo watanga omo watopa. Walunguka kapangi etchi tchivi] – Uma pessoa parva – minus habens – faz coisas descabidas, mesmo que tenha estudado; a pessoa dotada não faz coisas sem sentido.
TCHITULA – É alguém que nasceu numa aldeia nova.
TCHITUMBA [tchukwihã so la nhoho, wamale kakutchihã, hati okwete ale] – É delicato ter barriga grande; quem não sabe pensa que já comeu. – “V’omela nda mwasahuluka, lyola; mahako ñgo, walaka okuvisya”! - Se tens apetite, come. Quando te obrigam a comer, então estás quase a morrer… Trata-se de uma pessoa doente!
TCHIVINDA [okutela utale l’uteke, volundila utale] – Ao guarda se responsabiliza tudo o que falta. Tu que andas de noite podes ser responsabilizado de tudo o que acontece no oculto.
TCHIYO [nda wamõla kahañgu, katchiyo hokawinesi; kahañgu nda kepo, katchiyo kove iya okupopela – nda okwela ukayi, hokaling’heti ndakwela ukayi wotchili; ovindja vyahe handi kuvi] – Mais vale ser fiel ao que já nos pertence, porque da novidade nos poderemos arrepender tarde demais.
TCHUKULYA [yakulila kayukupopela tchiñgii] – Antes de ires ao julgamento, dê primeiro uma dádiva – paga! Assim, por o juíz estar comprometido contigo, não te condenará em tribunal.
VIHEMBA - É um nome dado a quem durante a gravidez e o parto provocou muitos problemas de saúde; foram precisos muitos medicamentos para a mãe ou mesmo o pai.
VISSOKA [ovissoka-soka vyovutima] – O coração pensa em tudo e às vezes sem razão!

André Lukamba


Poetizando sem temor!!!

Existem aqueles que você se interessa por ser bonito, ter um corpo ‘saudável’, e por todas as meninas quererem ele. – Mas existem aqueles, que além disso, tem um bom papo, um sorriso encantador, gosta de música, é sincero e te diverte. Existem aqueles, que se tornam amigos, e que este sentimento de irmandade permanece. Aqueles que você teme em perder, e fica feliz por vê-los felizes. Aqueles que estão sempre com você, para te dar um abraço e te chamar de querida. Aqueles que você se apega, que se tornam irmãos. Aqueles que tem o tipo: melhor namorado do mundo – e que para você, é sinceramente o mais doce amigo que uma mulher pode ter.


O amor, no seu conjunto, não se reduz à emoção nem ao sentimento, que não são senão alguns dos seus componentes. Um elemento mais profundo e de longe o mais essencial de todos, é a vontade, que tem o papel de modelar o amor no homem. Na amizade - ao contrário do que sucede na simpatia - a participação da vontade é decisiva.

segunda-feira, 11 de março de 2013

MILAGRES DA VIDA


Vale apenas ler!!!

Havia no alto de uma montanha três árvores. Elas sonhavam com o que iriam ser depois de grandes. A primeira, olhando as estrelas disse: eu quero ser o baú mais precioso do mundo e viver cheia de tesouros. A segunda, olhando um riacho suspirou: eu quero ser um navio bem grande para transportar reis e rainhas. A terceira olhou para o vale e disse: quero crescer e ficar aqui no alto da montanha; quero crescer tanto que as pessoas ao olharem para mim, levantem os olhos e pensem em Deus. Muitos anos se passaram, as árvores cresceram. Surgiram três lenhadores que, sem saber do sonho das árvores, cortaram as três.


 A primeira árvore acabou se transformando num cocho de animais, coberto de feno. A segunda virou um barco de pesca transportando pessoas e peixes todos os dias. A terceira foi cortada em vigas e deixada num depósito. Desiludidas as três árvores lamentaram os seus destinos. Mas, numa certa noite, com o céu cheio de estrelas, uma jovem mulher colocou o seu bebê recém-nascido naquele cocho. De repente, a árvore percebeu que continha o maior tesouro do mundo. A segunda, certo dia, transportou um homem que acabou por dormir no barco. E, quando uma tempestade quase afundou o barco, o homem levantou-se e disse PAZ!! E, imediatamente, as águas se acalmaram. E a árvore transformada em barco entendeu que transportava o rei dos céus e da terra. Tempos mais tarde, numa Sexta-feira, a árvore espantou-se quando as vigas foram unidas em forma de cruz e um homem foi pregado nela. A árvore sentiu-se horrível vendo o sofrimento daquele homem. Mas logo entendeu que aquele homem salvou a humanidade e as pessoas logo se lembrariam de Deus ao olharem para a cruz. O exemplo das árvores é um sinal de que é preciso sonhar e ter fé. SEMPRE !!! Não importa o tamanho dos sonhos que você tenha, sonhe muito e sempre. Mesmo que seus sonhos não se realizem exatamente como você desejou, saiba que eles se concretizarão da maneira que Deus entendeu ser a melhor para você. "Uma nuvem não sabe por que se move em tal direção e em tal velocidade. Sente apenas um impulso que a conduz para esta ou aquela direção. Mas o céu sabe os motivos e os desenhos por trás de todas as nuvens, e você também saberá, quando se erguer o suficiente para ver além dos horizontes."


quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

TRABALHO ACADEMICO IV SEMESTRE


UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO DO SUL
DEPARTAMENTO DE LETRAS (DLE)
CENTRO DE CIÊNCIAS HUMANAS E SOCIAIS
TRABALHO DE LITERATURA PORTUGUESA
ACADÊMICO: ALBERTO CHISSINGUI SARA SILVA

                                                Questões e Respostas
1- È possível estabelecer relação entre o significado das epígrafes e a divisão de mensagem em (três) partes? Caso isso seja viável, descreva as três relações.
É bem verdade, que existe uma relação enorme entre o significado das epígrafes, assim também tornar-se possível a divisão de mensagem em três partes: “brasão, mar portuguez e o encoberto”.
Atentemos que a relação entre essas partes não são tanto quanto bastantes distanciadas pelo fato do qual o foco analítico desdobra a própria fusão literária. Assim sendo, e, desde logo, coloquemos em disposição essas mesmas relações:
A primeira parte trata Portugal por pertencer na Europa; a segunda parte faz referência ao Portugal de além-mar aquele país conquistador, navegante, etc.; e em terceiro lugar como não bastasse trás a questão de Portugal como um país do futuro, ou dito com outras palavras, Portugal de quinto império.
2 – No poema “mar português”, explique o porquê do uso do adjetivo “português” se o oceano atlântico também banha outros países da Europa?
Em primeiro lugar, aquilo que podemos notar nos poemas portugueses é que eles têm o jeito adorável de fazer poesia, com uma exclusividade no estilo, e, sobretudo, a forma demonstrativa desse estereótipo.
Obviamente, o adjetivo português referente ao atlântico não aparece com o intuito de apropriar-se do oceano, porém interliga o sentimento do povo português na fase das navegações, nas conquistas de novas terras (Diogo Cão, Vasco da Gama, Cristovão Colombo entre outros) quando eles saiam deixando suas terras de origem com destino as novas descobertas usando como ponto de partida o mar, visto que, Portugal é um dos países da Europa localizado na região da península ibérica, e, aqueles que ficavam observavam a saída dos navegadores pelo mar como podemos rastrear algumas palavras nestes poemas. Como ilustração atentemos nas seguintes passagens: “linha severa da longínqua costa” está costa se refere a costa marinha e tantas vezes nos poemas são repetidas a palavra “longe”, o termo a “distância” e muitos traços que não foram citados caracterizam o adjetivo português.
3 – Entre os reis referidos nos poemas de “Os Castelos”, qual também foi poeta? Transcreve um poema de autoria desse rei.
O rei que também foi poeta citado nos poemas “Os Castelos” é o D. Dinis. Um dos seus poemas escrito é:
Na noite escreve um seu Cantar de Amigo
O plantador de naus a haver,
E ouve um silêncio múrmuro consigo:
É o rumor dos pinhais que, como um trigo
De Império, ondulam sem se poder ver.

Arroio, esse cantar, jovem e puro,
Busca o oceano por achar;
E a fala dos pinhais, marulho obscuro,
É o som presente desse mar futuro,
É a voz da terra ansiando pelo mar.
4 – em mensagem, há referencia a somente duas mulheres: D. Tareja (“Os castelos” quarto poema) e D. Filipa de Locastre (“Os castelos” sétimo poema II). Elas eram portuguesas ou estrangeiras? Por que ambas estão presentes nessa obra de Fernando Pessoa?
As duas mulheres citadas eram estrangeiras, por exemplo, D. Tareja é proveniente de Castela; D. Filipa de Locastre da Inglaterra. No entanto, foram mencionadas no poema mensagem por terem contribuído significativamente na história de Portugal, ou seja, foram as detentoras das dinastias.
Como título ilustrativo mostremos os seguintes poemas dessas mulheres. Em primeiro de D. Tareja, em seguida de D. Filipa de Locastre:
QUARTO / D. TAREJA
As nações todas são mistérios.
Cada uma é todo o mundo a sós.
Ó mãe de reis e avó de impérios,
Vela por nós!
Teu seio augusto amamentou
Com bruta e natural certeza
O que, imprevisto, Deus fadou.
Por ele reza!

Dê tua prece outro destino
A quem fadou o instinto teu!
O homem que foi o teu menino
Envelheceu.

Mas todo vivo é eterno infante
Onde estás e não há o dia.
No antigo seio, vigilante,
De novo o cria!
SÉTIMO (II) / D. FILIPA DE LENCASTRE
Que enigma havia em teu seio
Que só gênios concebia?
Que arcanjo teus sonhos veio
Velar, maternos, um dia?
Volve a nós teu rosto sério,
Princesa do Santo Graal,
Humano ventre do Império,
Madrinha de Portugal!
5 - O que é um padrão? Por que Diogo Cão (“padrão”, III poema da segunda parte “Mar Português”) o deixou por onde passou?
O “padrão” é um conjunto de normas estatuídas por determinadas ideologias. Por outro lado, deve ser dito com a letra da palavra que, o “padrão” representa a soberania de Portugal em todos os locais conquistados. Por exemplo, Diogo Cão detinha paradigmas a seguir por isso que por onde passava deixava estancada a cultura portuguesa. Deixemos mais claro com alguns trechos do poema mensagem da III parte o “padrão”.

O esforço é grande e o homem é pequeno.
Eu, Diogo Cão, navegador, deixei,
Este padrão ao pé do areal moreno
E para diante naveguei.
A alma é divina e a obra é imperfeita.
Este padrão sinala ao vento e aos céus
Que, da obra ousada, é minha a parte feita:
O por-fazer é só com Deus.
E ao imenso e possível oceano
Ensinam estas Quinas, que aqui vês,
Que o mar com fim será grego ou romano:
O mar sem fim é português.
E a Cruz ao alto diz que o que me há na alma
E faz a febre em mim de navegar
Só encontrará de Deus na eterna calma
O porto sempre por achar.




Referências Bibliográficas
Fonte: http://www.cfh.ufsc.br/~magno/mensagem.htm.
http://pt.scribd.com/doc/33845020/fernando-pessoa-mensagem-historia-mito-metafora-00597-literatura-portuguesa.

TRABALHO ACABEMICO


UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO DO SUL
DEPARTAMENTO DE LETRAS (DLE)
CENTRO DE CIÊNCIAS HUMANAS E SOCIAIS
TRABALHO DE LITERATURA PORTUGUESA II
ACADÊMICO: ALBERTO CHISSINGUI SARA SILVA

Questões e Respostas
1. Existem vestígios românticos nas Cartas Portuguesas? Caso os haja, justifique sua resposta com 3 ( três ) exemplos extraídos do texto. Caso não os haja, também justifique sua resposta com exemplos.
R: Existem sim, porque a narradora ao longo do percurso narrativo, aborda temáticas contraditórias, hora mostra a ira contra o suposto seu primeiro homem, hora se submete em ama-lo e que seria impossível lhe esquecer porque por ele marcou a vida dela e que por ele ela fez de tudo para ser feliz. Os trechos abaixo demonstram o lado dos vestígios românticos:
a)      Mas não importa, estou resolvida a adorar-te toda a vida e a não ver seja quem for, e asseguro-te que seria melhor para ti não amares mais ninguém.

b)      Eu não te posso esquecer, e não esqueço também a esperança que me deste de vires passar algum tempo comigo.

c)      Desde que partiste nunca mais tive saúde, e todo o meu prazer consiste em repetir o teu nome mil vezes ao dia. Algumas freiras, que conhecem o estado deplorável a que me reduziste, falam-me de ti com frequência. Saio o menos possível deste quarto onde vieste tanta vez, e passo o tempo a olhar o teu retrato, que amo mil vezes mais que à minha vida.

2. Durante a leitura das cartas, notam-se tons distintos em cada uma delas. Aponte o tom que lhe parece mais relevante em cada uma e exemplifique-os com um trecho da obra para cada tom.

R: Na primeira Carta, é bem notável que Mariana apresenta um tom razoável sem muitos remorsos, isto porque ela ainda tem a certeza que o seu amor ia voltar, por mais que duvide um pouco como nos ilustra logo no começo da carta “Considera, meu amor, a que ponto chegou a tua imprevidência. Desgraçado!, foste enganado e enganaste-me com falsas esperanças.”  E já na segunda Carta começa a mostrar um tom meio furioso, descontente tudo porque, depois de lhe ter enviado a primeira carta, o homem da vida dela não lhe mandou a  resposta e que pra ela se sentiu por um lado como se a carta não tivesse lhe chegado, ou então, lhe chegou e não quis lhe responder como bem nos mostra bem dentro da segunda carta “Não deixaria de ser infeliz se soubesse que só ao meu amor ganharas amor, pois tudo quisera dever unicamente à tua inclinação por mim; mas estou tão longe de tal estado que já lá vão seis meses sem receber uma única carta tua. Só à cegueira com que me abandonei a ti posso atribuir tanta desgraça: não tinha obrigação de prever que as minhas alegrias acabariam antes do meu amor?” e na terceira carta, Mariana depois de receber uma resposta do seu amado homem com frases curtas o tom, ou seja, a tonicidade começa a abrandar e desesperadamente sem mais esperança conforme nos ilustra a passagem retirada da carta “Que há-de ser de mim? Que queres tu que eu faça? Estou tão longe de tudo quanto imaginei! Esperava que me escrevesses de toda a parte por onde passasses e que as tuas cartas fossem longas;” já para a quarta carta, apresenta um tom um pouco calmo tudo porque depois de ter recebido algumas noticias do sujeito começa a se conformar de que não seria mais possível estarem juntos como a própria carta explica “Estou mais que convencida do meu infortúnio; a injustiça do teu procedimento não me deixa a menor dúvida, e tudo devo recear, já que me abandonaste.” Finalmente na quinta carta, Mariana já conformada de que perdeu o amor da vida dela, escreve para ele lhe encorajando e Prometendo que nunca mais ia lhe escrever e que ia fazer tudo para se superar e esquecer ele, “Escrevo-lhe pela última vez e espero fazer-lhe sentir, na diferença de termos e modos desta carta, que finalmente acabou por me convencer de que já me não ama e que devo, portanto, deixar de o amar.”

3. Como se concretiza, nas Cartas Portuguesas, a “linguagem moderna” apontada pelo ensaio [...]

R: A linguagem, por vezes opaca, obriga a uma reflexão sobre o texto e à descoberta de novos significados, ocultos por uma sintaxe frequentemente difícil, mas de grande efeito estético-literário. O discurso é veiculado através do recurso a uma linguagem de uma beleza inovadora e inesperada, na qual o poder de sugestão e a sensualidade de alguns textos encontra o seu contraponto perfeito no tom directo e cru de outros, introduzindo um grau de diversidade que confere um  dinamismo constante à obra.

4. Na 3ª Carta, há a repetição da expressão “Adeus” no inicio de 5 (cinco) parágrafos que fecham essa massiva. Como você interpreta esse “Adeus”: como despedida ou um prolongamento do páthos que toma conta da missivista? Justifique sua resposta com trechos dessa mesma carta.

R: Eu acho que que essa sequencia de Adeus na carta, não caracteriza uma despedida, mas sim, um prolongamento de páthos que toma conta da missivista tudo porque ela, se adentra muito no eu sentimentalista e esquece do sofrimento que lhe abalava, fazendo recordar os tempos que passaram juntos se é que seria possível te-los de volta. É bem visível no trecho abaixo a intenção da narradora com o Adeus “Adeus; parece-me que te falo de mais do estado insuportável em que me encontro; mas agradeço-te, com toda a minha alma, o desespero que me causas, e odeio a tranquilidade em que vivi antes de te conhecer Adeus. O meu amor aumenta a cada momento. Ah, quanto me fica ainda por dizer...

5. Você acredita a autoria das Cartas a uma freira por nome Mariana Alcoforado ou pensa num possível “golpe marketing”, para o sucesso editorial da obra? Esboce uma argumentação possível em favor da sua opinião.

R: Acredito que a Obra é da inteira autoria de Mariana porque, no seu todo, reúne  cartas de amor (presumivelmente verdadeiras, pois a história é verídica) de uma jovem freira portuguesa do século XVII, dirigidas ao seu amante francês que a abandonou no convento.
“Cessa, pobre Mariana, cessa de te mortificar em vão, e de procurar um amante que não voltarás a ver, que atravessou mares para te fugir, que está em França rodeado de prazeres, que não pensa um só instante nas tuas mágoas, que dispensa todo este arrebatamento e nem sequer sabe agradecer-to.” 
Mariana Alcoforado é a personagem e presumível autora das cinco (As Cartas Portuguesas – titulo com que foram publicadas 1669, em França) dirigidas a Noel Bouton de Chamilly, conde de Saint-Léger, oficial francês que lutou em solo português sob as ordens de Frederico de Schomberg, durante a Guerra da Restauração. Tais cartas acabariam por se tornar num clássico da literatura universal por anteciparem o movimento literário romântico e serviram de inspiração a La Bruyère, Saint-Simon, Saint-Beuve e muitos outros autores românticos.

 REFERENCIAS BIBLIOGRAFICAS:

 Cartas Portuguesas atribuídas a Mariana Alcoforado, traduzidas por Eugénio de Andrade (pseudón.), Edição bilingue, RTP, Março de 1980, 80 págs.

http://www.luso-livros.net/Livro/cartas-de-amor-de-uma-freira-portuguesa/, Retirada no dia 07 de Fevereiro de 2013 pelas 20:00.

sábado, 2 de fevereiro de 2013

4 de fevereiro de 1961......queres mesmo saber??? Leia...



4 Fevereiro 1961 - Início da Luta Armada pela Independência de Angola

O dia 4 de Fevereiro de 1961 é recordado no país como o marco do início da luta armada de libertação nacional.

Naquela data, centenas de jovens nacionalistas, enquadrados por militantes do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), atacaram as cadeias da PIDE-DGS, principalmente a Casa da Reclusão e Cadeia de São Paulo para libertar presos políticos.
A edição de 5 de Fevereiro de 1961 do Jornal “Província de Angola” assinalava a morte de sete homens da Polícia 
Colonial e um soldado do exército, “abatido” junto à Casa da Reclusão.

Relatos da época revelam que três comandos despontaram no início dos ataques, tendo um deles enfrentado a guarda da Casa da Reclusão, outro, praticamente desarmado, lançou-se sobre as grades de ferro da prisão de São Paulo e posto da PIDE-DGS, enquanto o terceiro comando atacava o então Emissor da Rádio Oficial de Angola.

A anteceder essas acções, em finais de Janeiro circulavam rumores segundo os quais os detidos políticos, (entre eles os incriminados do Processo de 50) encarcerados na fortaleza da Casa da Reclusão, seriam transferidos para a sinistra prisão de Tarrafal em Cabo Verde.
Tal situação, a par de outras injustiças, motivaram as acções da madrugada do 04 de Fevereiro de 1961: nacionalistas angolanos, com bravura, empunhando paus e catanas, atacaram a cadeia de São Paulo e a Casa da Reclusão, em Luanda.
A razão desse ataque foi libertar os presos políticos angolanos acusados pelo regime português de activistas subversivos, que pretendiam a independência de Angola.
O acto foi produto da afirmação da consciência nacionalista e patriótica dos angolanos contra a recusa, pelo regime colonial português, das propostas pacíficas que lhe haviam sido apresentadas, tendo em vista a soberania do país.
Além de ter marcado o rompimento com a opressão, o 04 de Fevereiro é tido como das datas mais importantes da história de Angola, à semelhança do 11 de Novembro de 1975, altura em que o país se tornou independente.

Algumas fontes referem que a escolha do dia do ataque (04 de Fevereiro) teve em atenção o facto de estarem na capital angolana nessa altura muitos jornalistas estrangeiros que aguardavam a chegada a Luanda do paquete Santa Maria, assaltado alguns dias antes no alto mar por um grupo liderado por Henrique Galvão, um oposicionista do regime de Salazar.

Quando ficou claro que, afinal, o navio não viria para Luanda e os jornalistas começaram a prepararem-se para abandonar a capital angolana, os nacionalistas decidiram lançar o ataque antes que fossem todos embora.
Assim a presença dos jornalistas garantiu a projecção mediática internacional do acontecimento que marcou o início da luta armada, culminada com a independência do país, a 11 de Novembro de 1975.

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Tempos modernos...não imaginas!!!

No que tece à tecnologia da informação, no âmbito da ciência da educação é bem notório que o resumo abaixo do filme dos tempos modernos não seria bem adequado até porque o filme de piratas do vale de silício seria mais sucinto .
Assim sendo, achei conveniente optar pelo filme tempos modernos para despertar mais atenção ao caro e atencioso leitor.

O filme conta a história de um operário e uma jovem. O primeiro (Charles Chaplin) é um operário empregado de uma grande fábrica. Esse operário desempenha o trabalho repetitivo de apertar parafusos. De tanto apertar parafusos, o rapaz tem problemas de stress e, estafado, perde a razão de tal forma que pensa que deve apertar tudo o que se parece com parafusos, como os botões de uma blusa, por exemplo. Ele é despedido e , logo em seguida, internado em um hospital. Após ficar algum tempo internado, sai de lá recuperado, mas com a eterna ameaça de estafa que a vida moderna impõe: a correria diária, a poluição sonora, as confusões entre as pessoas, os congestionamentos, as multidões nas ruas, o desemprego, a fome, a miséria... Logo que sai do hospital, se depara com a fábrica fechada. Ao passar pela rua, nota um pano vermelho caindo de um caminhão. Ao empunhar o pano na tentativa de devolvê-lo ao motorista do caminhão, atrai um grupo enorme de manifestantes que passava por ali. Por engano, a polícia o prende como líder comunista, simplesmente pelo fato de ele estar agitando um pano vermelho, parecido com uma bandeira, em frente a uma manifestação. Após passar um tempo preso, o operário é solto pela polícia por agradecimento, uma vez que ajudou na prisão de um traficante de cocaína que tentava fugir da prisão. Nesse momento, surge a outra personagem do filme, "a moça – uma menina do cais que se recusa a passar fome". A jovem (Paulette Goddard), vivendo na miséria, tem de roubar alimentos para comer, pois, além disso, mora com as suas duas irmãs menores, seu pai está desempregado e as três são órfãs de mãe. O pai morre durante uma manifestação de desempregados e as duas pequenas são internadas em um orfanato. A moça foge para não ser internada e volta a roubar comida. Numa de suas investidas, ela conhece o operário: depois de roubar o pão de uma senhora, a polícia vai prendê-la e o operário assume a autoria do assalto. A polícia o prende , mas o solta em seguida após descobrir o engano. Quando vê a moça sendo presa, o operário arma um esquema para ser preso também: rouba comida em um restaurante. São colocados no mesmo camburão e, durante um acidente com o carro, os dois fogem e vão morar juntos. O operário, nosso querido Carlitos, procura emprego e consegue um como segurança em uma loja de departamentos. Logo é despedido por não ter conseguido evitar um assalto e por dormir no serviço. No entanto, consegue emprego numa outra fábrica, consertando máquinas. Durante uma greve na fábrica, Carlitos é preso mais uma vez, agora por "desacato à autoridade policial". Alguns dias depois, ele é liberado e a jovem o espera na saída da prisão para levá-lo a nova casa – um barraco de madeira perto de um lagGo. A jovem consegue, então, emprego em um café com dançarina e arruma outro para Carlitos, só que como garçom/ cantor. Os dois são um sucesso, principalmente Carlitos que, durante uma improvisação de uma música, arranca milhares de aplausos dos presentes ao café. Para estragar a festa, no entanto, surge novamente a polícia, desta vez com uma caderneta com os dados da moça e uma ordem para prender a jovem num orfanato. Carlitos e moça fogem e terão de começar tudo novamente

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

RESENHA, LITERATURA COMPARADA


SANTIAGO, Silviano. O entre-lugar do discusro latino-americano. In:__Uma literatura nos trópicos: ensaios sobre dependência cultural. 2ª Ed. São Paulo: Paz e Terra.
Acadêmico: SILVA, Alberto Chissingui Sara
O Entre-Lugar do discurso Latino-Americano
Na verdade, este é um dos textos mais discutidos nos últimos dias por ele fazer uma analogia profunda daquilo que venha ser estudos literários modernos. O autor focaliza um desenrolar preciso e coeso quando principia o seu ensaio com duas citações de caráter muito relevante no ramo literário. Entretanto, para adentrar nesse tema é preciso, antes de tudo, debruçar-se sobre uma análise histórica: nesse caso, é necessário compreender o desenrolar do processo colonial vivido pelos latino-americanos, isto é, índios do Brasil, do porto rico e buscar o embrião do que seria a identidade dos povos da América. Este texto, tem como objetivo principal fazer nos enxergar o lugar que ocupa hoje em dia o discurso literário latino-americano no seu confronto com o europeu, isso é, da metrópoles.
Tem sido uma discunção muito profunda para que se chegue ao possível lugar que ocupam hoje os textos literários latino-americanos uma vez que se trata da questão sacrifício e o jogo, prisão e transgressão, submissão ao código e agressão, obediência e rebelião, assimilação e experiência. Pois, é possível agora salientar que, o discurso latino-americano teve como sua influencia a cultura da metrópole por ser sua colônia. É ridículo falar de literatura hoje e se esquecer daquilo que venha a ser o  histórico dessa disciplina ate porque contextualiza aquilo que é e foi a cultura dos nossos antepassados.
Segundo o texto, aqui a epigrafe em exercício é a analise por razoes de ordem didática das relações entre duas civilizações que possuem um carisma completamente diferente e que comecemos pelo nível de ignorância mutua que os sustenta. Na verdade o autor nesse caso faz uma abordagem geral daquilo que foi o momento da escravidão nessa época e, por sua vez, busca o conceito de etnólogos que se baseia na ruptura da cultura europeia nos lugares colonizados por eles, isto é, expulsos dos seus lugares deixando de serem considerados como uma cultura de referencia.
 Acrescente ainda o autor que, a vitoria do branco no Novo Mundo se deve menos a razoes de caráter cultural do que ao uso arbitrário da violência e à imposição brutal de uma ideologia, como atestaria a recorrência das palavras escravo e animal nos escritos dos colonizadores portugueses e espanhóis.
O final do parágrafo acima se refere naquilo que era a denominação dos povos/culturas colonizadas e que não constitui de maneira nenhuma uma ênfase na dinâmica da ciência, ou seja, no estudo literário ate porque os termos aplicados têm um caráter mais dominador do que propriamente uma tradução do desejo de conhecer uma cultura. É óbvio, não se esquecer de que quando se trata de etnólogos nesse contexto, estamos claramente a falar dos índios que por sua vez procuravam viver em ótimas condições isto porque em relação ao colonialismo, estes não tinham direito de exercer seus rituos culturais.
No desenrolar desse texto, é observável que os brancos acreditavam mais nas ciências sociais ao passo que os índios acreditavam em tudo natural, isso porque na humanidade sempre ouve essas contradições para enriquecer sua cultura. Na sequencia, a violência segundo o autor foi sempre cometida pelos índios por razões de ordens religiosas, isto porque os brancos acreditavam na palavra de Deus. O mais engraçado nessa historia é que os índios queriam tanto saber ate que ponto as palavras dos europeus traduzissem a verdade transparente o que era o contrario porque na verdade o que mais predominava neles era a ambição pelo poder e pela implementação das suas culturas.
Neste ensaio, Silviano Santiago aponta dois aspectos muito importante que norteiam o entre-lugar do Discurso latino americano na fase do colonialismo e do renascimento, ou seja, o ontem e o hoje. Assim sendo, comecemos pelo período que se caracteriza aos índios que salvaguardaram a sua identidade cultural.
É notável no texto que não havia um entendimento entre os brancos e os índios porque ambos invocavam princípios diferentes constituindo uma estranheza cultural. Para os brancos ( os colonizadores) validavam as ciências sociais sendo elas ligadas diretamente com a palavra de Deus, ou seja, do Deus verdadeiro que anuncia a ressurreição de Jesus, ao passo que para os índios, as ciências naturais eram fonte da divindade religiosa, ou seja, velavam pelos acontecimentos verdadeiramente milagrosos do poder de Deus sobre a natureza.
 A Religião e Língua europeia serviram como instrumentos de controle e sua arbitrariedade acaba por sustentar uma verdadeira cruzada em prol do extermínio dos traços originais do "selvagem". A América transformar-se-ia numa cópia, uma representação do que seria "civilizado". Seus traços originais tornam-se constantes alvos de extermínio por parte dos colonizadores, sendo a duplicação a única regra válida de civilização. E é essa lógica que permeia as práticas Neocolonialistas, só que, desta vez, a modernidade utiliza-se de novos métodos de coerção e dominação.
Mas na verdade, sempre a pareceu as características que contempla o comparativismo isso porque, ao se referir em imitação de gestos dos cristãos durante o santo sacrifício da missa que era feita pelos europeus, os índios levavam consigo uma adaptação de outra cultura porque eles acreditavam nos milagres naturais. Segundo o autor, no Brasil no seculo XVI, os colonizadores colocaram não só a representação religiosa como também a língua europeia no que tece ao código linguístico e ao código religioso que atuaram simultaneamente.
 A ideia agora é exportar o velho de forma lenta e gradual numa espécie de exportação do Novo e, com isso, incluem-se costumes e valores rejeitados pela metrópole. Consumimos o velho com a sensação ilusória de estarmos nos aproximando do civilizado.
Discutindo hoje o entre-lugar do discurso latino americano, a América Latina se encontra num problema: não pode mais negar-se à invasão estrangeira nem, tampouco, pode almejar voltar a sua posição de isolamento. "O silêncio seria a resposta desejada pelo imperialismo cultural, ou ainda o eco sonoro que apenas serve para apertar os laços do poder conquistador. Falar, escrever, significam: falar contra, escrever contra"(Silviano Santiago). Ou seja, vive-se o impasse de estar contra ou omisso às influências estrangeiras.
Os atritos comoventes entre colonizadores e colonizados, sem dúvida, é a essência do que hoje se configura no embate entre Europa e Novo Mundo. Seria, na verdade, o dizer de uma história em curso, o desenlace que tende a estruturar o antagonismo entre inferior e superior. Esse desequilíbrio é sustentado pela defasagem e dependência econômica entre os países: o mais rico detém o poder e domina enquanto o mais pobre é subordinado aos interesses do primeiro. A noção de inferior é algo manipulado. Essa é a antiga (e por que não atual?) lógica colonialista. A colonização é, pois, a vitória do europeu no Novo Mundo e se configura menos por razões culturais do que por imposição brutal e violenta de uma nova conduta ideológica.
  Na verdade era mais uma ânsia dominadora do que um desejo de conhecer o "exótico". Não havia espaço para a proliferação cultural, se fazia necessário o estabelecimento dos padrões metropolitanos, sendo os códigos religiosos e linguísticos os principais asseguradores dessa dominação.
Pois, voltando-se para o passado colonial da América Latina, nota-se que há um desvio da norma em termos de civilização porque o que era para ser destruído e "revestido de europeu" acaba por ser misturado com os elementos da metrópole, ou seja, do colonizador nesse caso o Portugal. A América, enfim, desafia a noção de unidade a qual a Europa tanto quis fazer reinar. O termo, ou seja, elemento europeu funde-se com o selvagem e dá origem ao mestiço. O código linguístico e a religião perdem sua pureza e se deixam invadir por novas aquisições e, por fim, o elemento híbrido prevalece.
Ainda na sequencia do ensaio, Santiago afirma que em certos casos, os professores universitários falam em nome da objetividade, do conhecimento enciclopédico e da verdade cientifica e que o seu discurso critico ocupa um lugar capital entre outros discursos universitários, isto porque a parece uma arte já pobre por causa das condições econômicas em que pode sobreviver e se apropriar de modelos colocados em circulação pela metrópole. Esse mesmo discurso em contra partida, ridiculariza a busca dom-quixote dos artistas latino-americanos quando acentua por ricochete a beleza, o poder e a gloria das obras criadas no meio das sociedades colonialistas ou neocolonialistas.
 As culturas se interligam de tal forma que se tornam impossível distinga-las e agregar valores a essa ou àquela. Mas, devemos, portanto, reconhecermo-nos como um todo. Novamente: somos uma colcha de retalhos, onde uma parte não é entendida sem o todo ou vice-versa e onde cada contribuição e releitura nos faz quem nós somos.
Silviano aponta a fonte e as influencias como principais características que brilham nos artistas dos países da America Latina, isso porque, ao se debruçar nos seus trabalhos de pesquisa elas interagem para um bom aperfeiçoamento do objeto a ser pesquisado ate porque quando se trata da função na sociedade do artista latino-americano é como se estivéssemos a falar do movimento ascendente porque a partir daquilo que se sabe, comove-se para o desconhecido e daí o objetivo é sempre descobrir novas metas.
Por vezes a dificuldade de reconhecer-se como individuo pertencente a esta cultura transparece nas mais diversas manifestações artísticas. O cinema, como excelente contador de histórias da humanidade, adequou-se perfeitamente à necessidade de transmitir as mais variadas narrativas sobre o que seria a identidade das nações por meio de projeções, isto porque ela projeta aquilo que venha ser o dia a dia da nossa vivencia enquanto seres com capacidade de interpretação.  De modo análogo, as ficções literárias nacionalistas delineiam essa tentativa de auto-conhecimento porque permeiam a realidade da sociedade.
Silviano, estabelece uma aproximação no que diz respeito a pratica do escritor latino-americano e o olhar malévolo lançado por Roland Barther sobre sua percepção sarrasine de Balzac. Nesta vertente, entende-se que o escritor latino-americano segundo aos trâmites do ensaio em curso, tem uma visão intemporal no que diz respeito a construção dos textos literários, porque contempla um poder devorativo, antropólogo dos textos da metrópole, criando uma nova visão para o Novo Mundo que é o moderno. Ainda Barther, salienta que para que haja uma visão ampla no mundo literário é necessária a divisão desses textos em legíveis e escreviveis, levando em consideração o fato de que a avaliação que se faz de um texto hoje esteja intimamente ligada a uma pratica e esse pratica deduz-se a uma escrita.
Depois de ter apontado a influencia e a fonte como as principais características desse período, conota-se a diferença como o principal elemento que vem mudar esse preceito. Assim sendo, nessa vertente o autor tem o mesmo olhar na literatura como algo malévolo e que talvez só poderia mudar caso mantivesse essa peculiar noção do legível e escrevivel. A parece outro elemento que caracteriza o comparativismo cultural através de um aventureiro e possível escritor/tradutor latino-americano segundo Silviano, aquele que busca a identidade cultural através da interação de duas culturas.
Em termos do discurso latino-americano, entendo como impulso unificador a tentativa de fazer prevalecer uma única leitura teórica da América latina. Se mantivermos válidos os diversos conceitos que correspondem aos vários esforços para compreender e descrever esse espaço discursivo, se considerarmos o paradoxo uma instância produtiva, e não impeditiva, se, por fim, desconstruirmos as apropriações que o poder político e econômico faz desses mesmos conceitos, teremos uma leitura mais rica e proveitosa das diferenças irreconciliáveis que formam o espaço simbólico latino-americano.